Archive for the 'Konichiwa' Category

Coluna: Konichiwa, bartender #1

jorgeA Jana tem uma tática muito boa quando ela toca – que alguns podem chamar de “apelou-perdeu”, mas que atire o primeiro CD-R quem nunca tocou Madonna quando a pista ficou meio miada. Ela geralmente faz uma seqüência matadora de Lady GagaRihannaKylieBeyoncé, não exatamente nessa ordem. É inevitável que as beeshas estejam gritando e se descabelando na pista quando começa a quarta música.

Lady Gaga é a exótica, Rihanna é bem novinha ainda e Kylie não me convence cantando musiquinhas de amor e pegação com a idade que tem. Agora, e Beyonça? Qual o segredo dessa mulher que consegue ser um pouco exótica, ultrapopular, diva e bróder da galera? A Beyonça é o tema da Balada Mixta #1, e a gente vai tentar desvendá-la nessa coluna.

Começo

Pra começo de conversa, Beyonça tem a minha idade! Nasceu em 1981 e o seu nome inteiro é, pasmem, Beyoncé Giselle Knowles. Cafoninha, né? Mas um cafona do bem, a gente gosta! Pra relembrar: ela fez sucesso mundial primeiro com o Destiny’s Child. Lembra de “Bills, bills, bills“? Na minha opinião, a música entrou imediatamente no imaginário das gay porque 1) engrossava o coro de “eu pago as minhas contas, ninguém manda em mim” 2) gente, falar “bill” em uma música já é dar pinta, agora falar “bill” três vezes no refrão?!

Várias outras músicas do Destiny’s Child eram do tipo “sou dona do meu próprio nariz, sou gostosa, sou fodona”. E Beyonça sempre se destacou no trio: a mais bonita, a que cantava melhor. E daí pra uma carreira solo… um pulinho, né?

Perigosa…

Em Crazy in Love, todo mundo assistiu chocado a Beyoncé se jogar no chão de shortinho e salto vermelho. Ela ficou louca! E aí a gente percebeu que aquele arzinho cafona do Destiny’s Child talvez era simpático, talvez era do bem… Ela também usava um vestido todo moderno de cabelo meio geométrico, um casaco de pele com body por baixo e um brincão que devia ser mais pesado que um filhote de raposa e por aí vai. Diva moderna. E a música é tão empolgante que a gente acha que tá meio doido de amor quando escuta. Foda. Do mesmo disco, Dangerously in Love, o clipe de Baby Boy traz a Bee (tem coisa melhor que uma cantora cujo apelido é BEE?) baixando o santo e espalhando areia pra tudo quanto é lado. #PombaGiraFeelings

Insubstituível?

Como nada é perfeito, o segundo disco não era tão cheio de hits quanto o primeiro. Não tinha nenhuma Crazy in Love. Tudo bem. Tinha Irreplaceable, que pra mim é a música do disco, e é muito mais madura do que as da época do Destiny’s Child – tipo, não é simplesmente “sou fodona” mas é um toque do tipo “você não é insubstituível”. E posso ouvir no jeito que Beyonça canta, nas entrelinhas, que nem ela é… nem ninguém. Nem mesmo ela mesma.

jorgebeyonca

Fudeu: a segunda Crazy in Love

Muita gente já tinha percebido que o modelo de diva que Beyoncé assumia era diferente do que a gente estava acostumado do meio dos anos 90 pra cá. Bee não era delicada (e chata) como a Celine Dion, não era teen que nem a Britney e a Christina Aguilera. Sua matriz era mais poderosa, e vinha de antes de Madonna. Inclusive ela mesma sabia… E todo mundo teve certeza que ela era uma Tina Turner nitroglicerinada quando Single Ladies foi lançada.

Com maiô, duas dançarinas ao seu redor e uma coreografia enérgica – e mais nada – Beyonça fez o clipe mais copiado de 2008 e de 2009 também! Um monte de versões surgiram na internet, inclusive com alguns famosos. Ela tinha feito mais um hit que iria agitar a pista tanto quanto Crazy in Love.

Conclusões

Beyonça tem uma mãe de gosto extravagante que faz roupas e tem uma marca (que chama House of Dereon, vai vendo…), uma irmã doidinha que está mais pra Lady Gaga do que pra Beyonça e que também canta (e que é ótima e divertidérrima, a Solange), não é magérrima (aliás, pelo contrário, tem mais curvas do que o showbusiness ousou permitir em uma supercelebridade pós era do heroin chic). Não é muito chegada em badalações – você não vê foto de paparazzi flagrando a fofa se acabando em uma festinha. Aliás, é supercomprometida e, ao que tudo indica, superfamília.

Com tantos fatores que podiam dar errado, parece meio estranho que tudo dê certo. Mas pra mim é tudo muito simples: Bee tem música boa no repertório. E não adianta tentar produzir uma superstar com músicas ruins. Não funciona. Não dura. Eu acho, por exemplo, que a Beyonça no fundo é tão certinha que nunca se permitiria ir na Balada Mixta, porque é de quinta-feira. Mas tudo bem, a gente vai na Balada Mixta por ela e dança as músicas dela.

Jorge Wakabara é jornalista e surpreendentemente não sabe a coreografia de Single Ladies. (NÃO SEI MESMO!)
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Coluna: Konichiwa, bartender #0

jorgeOi, primeira coluna, né? Quando rolou o convite de escrever aqui fiquei meio assim porque não sabia do que falar. O Pedro me disse que podia falar do que quisesse – mas é esse problema, quando a redação é tema livre tem tudo pra sair uma merda. E enfim, a primeira Balada Mixta nem aconteceu, não sabemos a carinha dela – a promessa é de coisas boas! – mas não tinha referencial nenhum além desses três:

– O Pedro Beck, mas não queria falar do Pedro Beck, já basta ele ser leonino;
– A Katylene, mas não queria falar da Katylene, já basta ela ser taurina e tatuada;
– e a Funhouse em si – qual será o signo da Funhouse?

Aí então o tema dessa primeira coluna é a Funhouse, e o tema das próximas colunas pode vir da própria Balada Mixta (coisas que vi, que ouvi, que pensei por lá) ou das atrações. Combinado?

Bom, a Funhouse é um lugar muito importante pra mim. Sei que a “publicidade” Balada Mixta procura afastar a imagem rocker da Funhouse pra assumir um lado mais pop, mas a verdade é que sempre me atraí pela Funhouse (que a gente chama carinhosamente de fãnhózi) por causa do lado rocker dela. Era o local onde eu ia ouvir Pixies de quinta-feira pra aparecer ressacado no dia seguinte no trabalho. Viu? Algumas coisas não mudam! É isso que a gente vai fazer no dia 11!

Bom, existiram pra mim três fases da Funhouse (deve ser diferente pra cada um, tô falando do meu caso específico). Na primeira a gente ia, dançava músicas de bandas que a gente desconhecia – Da Escócia? Da Islândia? – e cometia delitos do tipo levar um gravador de fita pra balada e fingir que era repórter de uma rádio. Eu e Ana Laura já entrevistamos algumas pessoas na Funhouse. Sério. Nem sei onde está essa fita. Na época, que me lembre, não existia nas imediações nem Exquisito, nem Leblon, nem Geni, nem nada.

Na segunda fase nós (Ana Laura, Bia Bonduki e eu) tínhamos uma banda, Os Princesa, e o show da Funhouse foi um dos melhores que a gente já fez. Nós abrimos pro Bonde das Impostora – foi isso? Eu estava muito bêbado, não lembro direito. Sei que quase entrei em coma alcoólico no palco antes do show começar e escondi uma cerveja de mim mesmo atrás do retorno, depois reencontrei a cerveja no meio do show, depois apareceu uma menina com o cabelo enoooorme e um casaco de pelos enooooorme que simulou sexo oral em mim, depois ela estava do meu lado no palco (?). Depois a gente descobriu que ela se chamava Miki e era americana – ela virou nossa amiga. Dizem que nós estávamos ótimos no show – não me lembro de quase nada, como vocês podem perceber. Até hoje tem gente que chega e pergunta: você não era de uma banda que fez show na Funhouse? Bom, melhor eles lembrarem de um dos melhores shows.

66170978_0254c71099_oEu, Jorge Wakabara em versão irreconhecível

A terceira fase é a que eu dava umas escapadas pra Funhouse escondido de todo mundo com a Monayna (que não tem Twitter). A gente ia – na quinta-feira! – pra OUVIR PIXIES. Não íamos pra paquerar, nem pra conversar. Ficávamos dançando e bebendo caipirinha – e de algum jeito aquele chão xadrez aquecia os nossos coraçõezinhos saudosos de baladas que tocavam Pixies… e bandas desconhecidas da Escócia e da Islândia.

Bom, o mundo gira. Tem também a quarta fase, de agora, que a gente vai pra Funhouse e pode ouvir Lady Gaga – sacrilégio ou novos tempos?

Acho que a Funhouse é geminiana.

Jorge Wakabara é jornalista e te ama.


Balada Mixta

Mensalmente no Estúdio Emme (Pedroso de Morais, 1036, Pinheiros). MUITA música POP! Mande seu nome para a lista amiga (R$ 25) e venha se jogar na pista com Katylene, Pedro Beck, Pomada e seus convidados: baladamixta@gmail.com